O perfil do abusador psíquico.

Nunca se falou tanto em abuso emocional. Pudera, demorou anos para o abuso psicológico ser considerado abuso.

A agressão com o ser humano, sobretudo, contra a mulher, era apenas constatada e considerada se houvessem marcas e ainda assinada por um médico legista.

Sobre o que se passava na mente da vítima agredida psicologicamente nada se dizia, afinal, não era abuso para a maioria.

A Lei Maria da Penha foi retirando o véu dos vários tipos de agressões e abusos, pouco a pouco, conforme a evolução do entendimento da questão social que girava abafado entre os tecidos femininos.

Tudo isso porque o perfil do abusador psicológico passa despercebido pela grande maioria, inclusive pela própria vítima.

E por que? 

Saindo um pouco do que versa a Lei Maria da Penha, quero falar sobre a máscara social do abusador, como ele convence tantas pessoas?

O perfil é, geralmente, o perfil de uma pessoa moralista, que enche o peito para falar em alto e bom som sobre sua "conduta ilibada", sobre como é um bom filho, bom pai, gerador de empregos ou um funcionário exemplar. Em geral, o discurso da vítima-heroína. Contam uma história triste de infância, depois de superação solitária, em seguida da glória. 

Sistemáticos, possuem um aspecto perfeccionista com a autoimagem. Sempre extremamente limpos, organizados, cheirando a banho recém tomado. Nada foge a uma imagem de perfeição, do discurso, aos atos sociais e a aparência.

Tudo isso para mascarar a desorganização interna. Claro, o abusador sabe quem é, por isso tendem a criar um personagem social beirando o príncipe dos contos de fadas. Acima de qualquer suspeita.

A vítima passa por "desequilibrada"”, "insana", "dramática" e "mentirosa", pois, o abusador vai minando em doses homeopáticas a ordem psicológica, a estrutura psíquica e assim, a vítima vai perdendo aos poucos, a credibilidade social e familiar. 

O abusador afirma diariamente para a própria vítima que ela não tem capacidade psíquica, que não sabe o que diz, que está ficando maluca, e passa a implantar memórias fictícias dizendo: "mas eu te falei, você que não presta atenção, ou está sempre no mundo da lua". De tanto repetir coisas como essas citadas, a vítima passa a acreditar que talvez esteja mesmo exagerando ou adoecida.

Muitas vezes procura um psiquiatra e é medicada desligando boa parte de suas funções racionais e emocionais. O que também é usado contra ela mesma: "ela toma medicações controladas".

Bem, hoje temos a tecnologia ao nosso favor, portanto usar o aparelho celular para gravar diálogos, discussões, brigas, agressões de todas as ordens e falas testemunhais do que é dito na ausência, faz-se essencial, pois, assim, a prova do abuso psicológico pode ser produzida e tipificada. 

A Lei Maria da Penha atualizada já concede à mulher o direito de lavrar o Boletim de Ocorrência na DDM (Delegacia da Mulher) a fim de processar o abusador.

Contudo, o importante é detectar os primeiros sinais do perfil de "Príncipe" no contato inicial e no início do relacionamento, jamais acreditando que existe de fato esse perfil de homem.

Quanto mais forte a máscara social, mais perigoso é. Claro que não é uma regra nem uma generalização, contudo, fique alerta para esses sinais.